Aquele corpo inerte, aquele olhar triste e fixo à janela do ônibus,
a mulher estava triste, parece que tinha chorado, mesmo com todas as
outras pessoas que estavam ali-por sinal o buzão estava lotado-era como se ela
estivesse sozinha num mundo somente dela. O filho menor não parava de fitá-la com
seus olhos grandes e negros,de um brilho estupendo, o menino maior parece que só prestava atenção a seu redor, estava
inquieto, tinha o semblante tranquilo. O homem ao lado dela cochichava aos seus
ouvidos, ela permanecia inerte, ele a beijava no rosto, cheirava seu cabelo,
tudo isso com movimentos um pouco forçosos porque ela não se mexia. O que ele dizia
ao ouvido dela às vezes parecia pedido de perdão, às vezes parecia ameaça, não
dava pra entender o cochicho.
Fica a dúvida no ar! Aquele homem tinha agredido aquela
mulher? Ela estava tentando fugir, e ele tentando impedir? Ou foi só um mero desentendimento
de casal? A dúvida paira no ar, e aquele rosto tão triste, e aqueles olhos
lacrimejados, ficaram guardados em minha mente...por sinal me vi naquele olhar,me vi naquela situação,mas agradeci porque agora vivo dias melhores...se eu a conhecesse diria-lhe com precisão:Fique tranquila,dias melhores virão...tudo pode mudar nada é pra sempre.